Você sabe como é feita a análise ECG? Entenda!

Você sabe como é feita a análise ECG
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ECG é a sigla para Eletrocardiograma, exame muito solicitado na área de saúde. Sua finalidade é detectar certos transtornos do coração, como arritmias, aumento das cavidades cardíacas, infarto do miocárdio, patologias da coronária, entre outros. Existe um equipamento específico para isso: o aparelho de ECG, que também existe na versão portátil.

O eletrocardiograma possibilita a avaliação elétrica da atividade do coração em repouso. A cada batimento, é produzida eletricidade que é transmitida à pele e captada por eletrodos. Quando a pessoa entra em óbito (uma parada cardíaca, por exemplo), aparece somente uma linha reta na tela do computador, pois a atividade elétrica cessou.

Devido à sua capacidade de identificar anomalias no funcionamento do coração, o eletrocardiograma é um exame muito útil para tratar doenças cardíacas e prevenir problemas mais graves posteriormente.

É muito importante interpretar corretamente os resultados obtidos pelo aparelho. Também é preciso que o profissional de saúde use corretamente a sequência no laudo descritivo. Devem-se analisar todos os detalhes, evitando que dados valiosos deixem de ser considerados.

A seguir, aprenda mais sobre a análise ECG para garantir que seja realizada da forma correta!

Os principais resultados da análise ECG

A análise ECG deve considerar o todo, ou seja, todas as derivações do eletro precisam ser avaliadas conjuntamente. Os resultados devem ser comparados com os sintomas do paciente, os registros médicos dele e outros testes usados para diagnosticar o estado de saúde da pessoa.

Para verificar a frequência elétrica, é preciso organizar eletrodos pelo corpo do paciente, em pontos específicos que definem as doze derivações que precisam ser consideradas quando se verifica a diferença de potencial (DDP) entre dois pontos do corpo humano.

As derivações são classificadas como derivações periféricas e derivações precordiais. Vamos falar mais sobre elas no final.

A sequência para leitura e interpretação

Para uma análise ECG eficiente, recomenda-se seguir sempre a mesma sequência, que se inicia com o cálculo da frequência do coração. Vamos falar sobre cada etapa:

A frequência cardíaca

Em todo exame de eletrocardiograma, é preciso determinar qual a frequência cardíaca (FC). Para essa avaliação, o profissional de saúde, ao verificar o papel quadriculado, conta os “quadradinhos” existentes entre o topo de uma onda R e outro. Cada minuto equivale a 300 quadrículos.

Conforme a lógica matemática, se existirem dois quadradinhos entre cada onda, significa que o coração está trabalhando a 150 batimentos por minuto.

O ritmo cardíaco

Na sequência de análise ECG, o próximo aspecto a avaliar é o ritmo cardíaco. Para isso, o profissional avalia se os complexos QRS (relacionados à contração dos ventrículos) estão regulares.

Essa regularidade é confirmada quando os intervalos RR são semelhantes. Esses intervalos representam a distância entre dois complexos QRS. Se ficarem dúvidas, pode-se utilizar um compasso ou régua.

Também é necessário analisar se o eletrocardiograma está em ritmo sinusal, o ritmo cardíaco que começa no nó sinusal. Esse estímulo, na maior parte das vezes, atravessa todo o sistema de condução, causando a despolarização dos átrios e, em seguida, dos ventrículos. Esse é o ritmo sinusal normal.

Para determinar se o eletro está em ritmo sinusal, é necessário avaliar se cada um dos ciclos cardíacos tem uma onda P resultante do nó sinusal e sempre acompanhada de um QRS. Quando esses requisitos se cumprem, a conclusão é que o ECG é rítmico e em ritmo sinusal. A onda P corresponde à primeira onda gerada, relacionada à contração do átrio.

O intervalo PR

O intervalo PR é medido desde o começo da onda P até ao começo do complexo QRS. O valor normal oscila entre 0,12 e 0,20 segundos. Um prolongamento PR ajuda na identificação de um bloqueio atrioventricular (AV) de primeiro grau. Já um intervalo curto ajuda no diagnóstico da síndrome de Wolff-Parkinson-White.

O intervalo QT

Esse intervalo deve ser mensurado desde o começo do QRS até ao término da onda T, que é a onda de repolarização do ventrículo. O valor do QT varia de acordo com a frequência. Deve ser, portanto, ajustado em relação a ela. O intervalo QTc (QT corrigido) está normal entre 350 e 450 milissegundos.

O eixo elétrico

Na análise ECG, esse passo é um dos mais difíceis. Um modo seguro de confirmar a normalidade do eixo elétrico é quando a D1 e a VF são positivas.

As alterações do segmento ST

Esse segmento é medido a partir do final do QRS até ao começo da onda T. Ele informa sobre a cardiopatia isquêmica. O segmento precisa ser isoelétrico. O profissional deve compará-lo com o segmento PR/TP precedente.

As ondas e os intervalos

Todos os intervalos e as ondas que não foram citados devem ser analisados também, como anomalias da onda P, da onda T e outras irregularidades.

As configurações do aparelho

O exame deve ser bem realizado — esse é outro ponto importante para a obtenção de resultados satisfatórios. É fundamental verificar os valores de velocidade e de amplitude. Em um ECG normal, a velocidade corresponde a 25 mm/s e a amplitude é de 1 mV por 10 mm.

As 12 derivações do ECG devem se observar e o eletro não deve contar com muitos artefatos, pois isso pode interferir na leitura. Caso o exame não tenha seguido esses parâmetros, convém refazê-lo se for possível. As derivações determinam o local exato onde devem ficar os eletrodos:

As derivações periféricas

As periféricas podem ser bipolares e unipolares aumentadas. As bipolares formam o Triângulo de Einthoven e registram a diferença de potencial entre dois eletrodos. As derivações unipolares aumentadas registram o potencial elétrico entre uma região torácica e sua extremidade.

As derivações bipolares

Os eletrodos ficam:

  • D1: entre o braço direito e o esquerdo;
  • D2: entre o braço direito e a perna esquerda;
  • D3: entre o braço esquerdo e a perna esquerda.

As derivações unipolares aumentadas

Os eletrodos analisam potencial absoluto em:

  • aVR: braço direito;
  • aVL: braço esquerdo;
  • aVF: perna esquerda.

As derivações precordiais

Já as derivações precordiais se relacionam com o potencial elétrico absoluto na área do tórax, perto do coração:

  • V1: átrios esquerdo e direito, parte do septo intraventricular e do ventrículo direito (quarto espaço intercostal direito);
  • V2: quarto espaço intercostal esquerdo;
  • V3: entre V1 e V2;
  • V4: ápice do ventrículo esquerdo;
  • V5: quinto espaço intercostal esquerdo (linha axilar anterior);
  • V6: quinto espaço intercostal esquerdo (linha axilar média).

A interpretação adequada e a sequência correta são fundamentais na análise ECG. Também é importante fazer a configuração adequada do aparelho e colocar os eletrodos nos pontos certos. São detalhes que fazem toda a diferença para o profissional que realiza esse exame.

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