Você sabe qual a diferença entre cardioversão e desfibrilação? Descubra

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Certos procedimentos são muito comuns na rotina hospitalar. Tanto que podem até gerar alguma confusão em relação à sua finalidade. A diferença entre cardioversão e desfibrilação, sem dúvidas, entra nessa lista. Você sabe como cada uma funciona?

Consideradas peças-chave dentro de uma unidade de atendimento, ambas ajudam a preservar a vida. Sua função está diretamente relacionada a estímulos elétricos no coração. Sabe aquelas cenas de filme, em que o paciente é reanimado com choques? É algo como a versão real desse estímulo. E é sobre o funcionamento desses choques elétricos que vamos falar hoje. Confira a seguir!

O que é cardioversão?

Uma das funções do coração está relacionada à fluidez do sangue no corpo, chamada condutividade elétrica. Quando esse sistema não funciona de forma adequada, acontece algum tipo de alteração no ritmo cardíaco. O que a cardioversão faz é restaurar o impulso do coração de forma coordenada. Para isso, é feita a aplicação de um choque elétrico sincronizado sobre o tórax, com a intenção de despolarizar as fibras de forma simultânea.

Antes de se definir a arritmia cardíaca, é importante identificar se o paciente tem algum critério de instabilidade hemodinâmica, como:

  • dor torácica;
  • dispneia;
  • desmaios;
  • diminuição do nível de consciência;
  • diminuição da pressão arterial.

Quando utilizada como alternativa aos antiarrítmicos, a cardioversão elétrica tem uma taxa de efetividade de 60% a 70%, No entanto, outros estudos apontam que quando feita após a utilização de medicamentos, o sucesso do procedimento pode chegar a 100%. Dessa forma, trata-se de uma aliada essencial em tratamentos hospitalares.

O que é desfibrilação?

Tão importante quanto a cardioversão, a desfibrilação também consiste na aplicação de corrente elétrica. Nesse caso, porém, esse estímulo é não sincronizado. Pode ser feito tanto no tórax do paciente quanto diretamente no músculo cardíaco. Em cirurgias, por exemplo, quando o pulso é perdido por completo, são colocadas pás no coração, para que o choque seja disparado.

O equipamento desfibrilador é requisitado quando acontece uma parada ou uma redução cardíaca. Seu objetivo é restabelecer os batimentos e fazer com que os sinais vitais da pessoa voltem. Sua ação é objetiva para salvar a vida do indivíduo, portanto, para reverter o quadro de fibrilação, o choque precisa ser feito o mais rapidamente possível. Do contrário, há tanto risco de morte quanto de sequelas.

Qual a diferença entre elas?

Embora sejam até parecidos, a diferença entre cardioversão e desfibrilação está na sincronização. O que acontece é que um pode ser aplicado a qualquer momento, por assim dizer, enquanto o outro demanda um timing específico.

Para entender melhor, considere que a desfibrilação é aplicada quando há parada cardíaca. A meta é fazer com que o ritmo seja retomado. É mais usada em arritmias graves, como a fibrilação ventricular (FV) sem pulso e a taquicardia ventricular (TV). Logo, o choque é aplicado quando não há batimento ou quando ele está muito abaixo do ideal. O normal é que um adulto tenha de 60 a 100 batimentos cardíacos por minuto.

Enquanto isso, a cardioversão age a partir de uma descarga elétrica que precisa de pulso para despolarizar o miocárdio. Além disso, deve estar sincronizada com o chamado complexo QRS. Para entender melhor, pense nos traçados de ECG, aqueles rabiscos que aparecem muito em cinemas e na televisão. Aquela linha nos monitores tem três momentos diferentes, que formam a chamada onda QRS. Quando começa é Q; o R é quando dá um pico; e o S quando ela está na parte inferior.

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A cardioversão deve ser dada exatamente na função R, quando o coração está inflando. Quando o choque é aplicado exatamente naquele ponto, ele restabelece, na maioria das vezes, o batimento de forma correta. Há uma técnica em que se aperta o aparelho para fazer o sincronismo. O equipamento só descarrega o choque quando estiver exatamente na onda R.

Quando cada uma deve ser aplicada?

Quando há parada cardíaca, seja após um trauma, seja durante uma cirurgia, isso significa que o coração parou por completo, ou que o ritmo está bastante alterado. Nesse momento, é hora de aplicar a desfibrilação. Isso significa, portanto, que se trata de um procedimento emergencial.

Desde 2015, inclusive, tornou-se obrigatório ter um equipamento desfibrilador em locais com agrupamento de pessoas. De acordo com a lei, é preciso ter um desfibrilador automático externo (DEA) em:

  • locais que tenham circulação de mais de 2 mil pessoas ao dia;
  • eventos específicos que também contem com mais de 2 mil pessoas;
  • transportes com capacidade acima de 100 passageiros, como metrôs, aviões, entre outros.

Atualmente, é comum encontrar o DEA também em condomínios e escolas. Para sua utilização, é importante que, pelo menos, uma pessoa no lugar tenha o treinamento adequado para seu manuseio.

Enquanto isso, embora a cardioversão até possa ser aplicada em situações de emergência, sua ação é principalmente eletiva. Na prática, isso significa que é preciso agendar o procedimento para fazê-lo no hospital ou em uma clínica.

Nessas situações, o coração do paciente bate, mas por conta de uma arritmia ou de algum problema, não bate em sua plena capacidade.

Que tipo de aparelho é utilizado em cada procedimento?

Apesar da semelhança entre os procedimentos, a cardioversão demanda um desfibrilador com opção de sincronismo, ou seja, o cardioversor. Como se trata de um choque sincronizado, os cabos precisam fazer a captação dos sinais vitais do paciente. Só assim, será possível garantir quando está acontecendo a fase R da onda e a sincronia.

Outra questão importante é que o equipamento precisa ter a quantidade adequada de joules para sua aplicação. O médico ou o responsável pelo atendimento avaliarão a carga de choque necessária a partir de características do paciente. São comuns equipamentos limitados a 200 joules, no entanto, existem casos em que apenas com o uso de uma energia maior, obtenha-se êxito no procedimento. Uma capacidade mais ampla demanda um aparelho mais moderno, que tenha capacidade para 360 joules.

Em resumo, a diferença entre cardioversão e desfibrilação está no momento em que o choque elétrico deve ser aplicado. Enquanto o primeiro tem uma ação eletiva, o segundo faz parte de atendimentos emergenciais.

Este post foi útil? Se você quer saber ainda mais sobre esse procedimento, leia o artigo “Desfibrilador: o que faz este equipamento?“. Você entenderá melhor que tipo de recurso é indispensável para os atendimentos cardíacos!

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