Esfigmomanômetro, história

esfigmomanômetro
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Todos sabem da importância de manter o controle da pressão arterial do paciente, para evitar uma série de complicações futuras.

Para manter esse controle, é necessário fazer o acompanhamento e análise das variações de pressão. A forma mais fácil de fazer essa medição é através do esfigmomanômetro. Um dos aparelhos mais utilizados no dia a dia de médicos e outros profissionais da área de saúde.

Embora seja algo tão comum, pouco se ouve falar sobre as origens do equipamento.

Como surgiu o primeiro medidor de pressão arterial?

A necessidade de medir a pulsação dos pacientes começou a surgir à medida que a medicina ia avançando em suas pesquisas.

Dessa forma, o primeiro aparelho designado para essa função foi o pulsiologium. Sua descoberta é atribuída ao cientista Galileu Galilei e também ao médico Santorio Santorio, também conhecido como Santorio Santorii, nascido em Veneza.

Após a “descoberta” do sistema circulatório por Willian Harvey, que viveu entre 1578 e 1657, quase um século se passou até que se conseguisse medir a pulsação pela primeira vez.

O experimento

Esse “experimento” foi feito em um animal, por Stephen Halles. Em 1733, ele escolheu uma égua que já estava com 14 anos e, após imobilizar o animal, introduziu um tubo de cobre em sua artéria crural esquerda, aproximadamente 6 centímetros abaixo do ventre.

Esse tubo funcionava fixado a um outro, também de cobre, que, por sua vez, era ligado a um tubo de vidro. Após o encaixe na veia do animal, o sangue subiu até o tubo de vidro.

A cada pulsação, porém, a altura do sangue variava entre 5 e 10cm. O tubo foi retirado e o jato de sangue chegou ao máximo de 61cm e, ao ser recolocado, notou-se que o sangue estava mais fraco.

À medida que se retirava e recolocava o tubo, tornava-se mais e mais fraco, o que culminou na morte da égua. Após o óbito, ainda restava uma pequena quantidade de sangue em seu corpo.

Anos mais tarde, o aparelho criado por Halles seria ainda muito aperfeiçoado para poder ser usado na medicina.

Primeiro aperfeiçoamento

Quase um século depois, Jean Léonard Marie Poiseuille experimentou trocar o tubo de vidro por outro em forma de U, que possuía certa quantidade de mercúrio em seu interior. Este novo aparelho, denominado Hemodinamômetro de Poiseuille, a princípio era usado somente em experimentos dentro de laboratório, e não era disponibilizado para uso clínico.

Em 1834, porém, pela primeira vez na história, um aparelho foi empregado para medir a pulsação humana.

P. Gernier e J. Harrison, um engenheiro e um médico, se uniram para fazer uma tentativa. Para isso, construíram um aparelho similar aos termômetros que conhecemos.

Ele consistia em um tubo preenchido com mercúrio, centralizado em uma coluna com as marcações em milímetros. Quanto apoiado sobre o pulso do paciente, pressionava a artéria, o que possibilitava que as pulsações impulsionassem o mercúrio e as oscilações fossem observadas na coluna graduada. Como sphygnos em grego significa pulso, o aparelho foi o primeiro protótipo do esfigmomanômetro.

Mas não foram somente estes estudiosos que se inspiraram no Hemodinamômetro de Poiseuille: em 1847, Karl Ludwig acrescentou a ele um flutuador ligado a uma agulha que apontava sobre o cilindro giratório, dando origem a um novo aparelho: o quimógrafo.

Segundo aperfeiçoamento

Em 1855, outro estudioso decidiu fazer uma nova modificação no aparelho: ele era Karl Vierordt, que acrescentou ao quimógrafo alavancas que pesavam o suficiente para impedir a pulsação, o que resultou em um aparelho muito pesado que não foi aprovado para uso clínico.

Porém, por essa época faltava pouco para a descoberta do sistema atual de medição. F. A. Mahomed sugeriu que a alavanca de peso fosse trocada por uma mola graduada que, ao invés de bloquear a pulsação por inteiro, ia fazendo isso progressivamente.

Baseado nesse novo aparelho que acabara de ser criado, Samuel Sigfried Ritter criou outros três aparelhos para desempenhar a função, dentre os quais o principal era o Esfigmomanômetro aneroide.

A partir daí, seguiram-se estudos que concluíram que o valor normal para a pressão era 130, podendo variar entre 110 e 160.

E quando surgem novas necessidades?

Em 1896, porém, o médico Scipione Riva-Rocci se viu diante de um novo problema. Para que os estudos clínicos sobre o paciente fossem completos, seria necessário medir a maior pressão exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos e tecidos e a função cardíaca, e não existiam ainda aparelhos capazes de aferir estes valores.

Enquanto os outros estudiosos utilizavam a artéria radial para fazer a medição, ele concluiu que seria melhor utilizar a umeral, que fica mais próxima à aorta. Surgia, então, o esfigmomanômetro de Riva-Rocci.

Leonard Hill e Harold Barnard tentaram modificar o aparelho, mas foi Nicolai Segeivich Korotkoff quem observou que, assim que a pressão arterial era bloqueada, era emitido um som e, após realizar a descompressão da artéria, era possível ouvir outro som.

Através de estudos, foi possível concluir que o primeiro som representava a pressão arterial máxima, e o segundo, a mínima. O primeiro normalmente ficava entre 10 e 12. Embora outras modificações tenham surgido, o aparelho de Riva-Rocci ainda é considerado o mais completo e prático.

Como usar o Esfigmomanômetro?

Para que a medição seja precisa, a parte de borracha deve circundar no mínimo 80% do braço do paciente. Essa parte é inflada a 20mmHg e, em seguida, desinflada a 3mmHg.

Através do estetoscópio, é possível ouvir a fase sistólica, quando o fluxo é interrompido, e a fase diastólica, quando volta a fluir. Em pacientes obesos, deve-se tomar o cuidado para que a dificuldade em circundar o braço não interfira nos resultados.

Pacientes com insuficiência na aorta merecem atenção especial durante a medição, já que a pressão diastólica pode surgir em uma fase diferente daquela de indivíduos que não apresentam o problema.

Caso o esfigmomanômetro utilizado seja o asteroide ou o eletrônico, é necessário fazer a calibragem trimestralmente, com o auxílio de um manômetro com coluna de mercúrio.

No esfigmomanômetro que já possui a coluna de mercúrio, esse procedimento não é necessário, e ele é considerado o mais preciso.

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